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(IN)TENSION
Exposição Individual | Galeria Nave, Março/Abril 2022

 

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Gap, 2018
Madeira, veludo e tinta acrílica
200x15x10 cm

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A matter of perspective II, 2022
Acrílico sobre tecido
80x60x1,2 cm

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A matter of perspective I, 2022
Acrílico sobre ferro lacado
80x100x1,2 cm 

 

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Niche Pressure, 2022
Bolas insufláveis, sinta e suportes em nicho
Dimensões variáveis

 

INTENSION

(en) properties inherent to a concept or word | (pt) propriedades inerentes a um conceito ou palavra

INTENTION

(en) something you plan to do | (pt) algo que se planeia fazer

 

INTENSÃO

(pt) aumento de tensão | (en) tension increase

 

INTENÇÃO

(pt) propósito, intento ou vontade | (en) purpose, intention or will

A formulação (IN)TENSION, que dá título a esta mostra de trabalhos, produzidos entre 2018 e 2022, existe no cruzamento de um jogo de palavras e seus desdobramentos linguísticos, preservando genericamente a noção basilar de uma tensão interna que ganha a forma de intenção.

Ao longo dos últimos anos tenho procurado, nas investigações formais inerentes ao meu trabalho, formulações mínimas para traduzir experiências profundas e significativas da condição humana e das suas implicações nas relações interpessoais. Nesse contexto, tensões – por vezes com origens contrastantes - têm-se apresentado como subjacentes (porém de importância central), a noções e realidades tão complexas como a morte, o fracasso, a ansiedade, o pressentimento, a pulsão, a disrupção, o paradoxo..

Acredito ser uma característica transversal a qualquer artista a necessidade de identificar o conflito/intenção que o leva à produção da obra. Essa intenção, e tensão encerrada no artista, poderá variar ao longo do tempo, mas existe frequentemente uma linha condutora que cose todas as suas inquietações e que, com o passar do tempo, se torna mais percetível para si e para os outros – se não o for à partida – mesmo que refletida em distintas materializações.

O exercício retrospetivo da avaliação do desenrolar dessas mesmas “intensões” que se transformam em matéria, é o convite que subjaz a esta mostra; convite que me foi estendido pela Galeria NAVE e que escolhemos estender ao público.

 

Nas diferentes obras apresentadas, separadas por anos na sua produção, é possível identificar estratégias estéticas e motivações conceptuais relacionáveis que, sem encerrarem uma narrativa biográfica explicita, têm a sua origem em experiências pessoais que se desejam ecoadas.

Não existiria assim um valor acrescido em proceder a uma decomposição demasiado racional de cada uma das obras que se apresentam pela primeira vez juntas no espaço da galeria. Mas talvez seja pertinente o desvendar de algumas anotações processuais relativas a cada uma das obras, deixando que cada observador estabeleça o seu percurso por elas, de modo individual.

GAP (2018) | Existência de um hiato: um intervalo pulsional entre dois elementos. Espaço entre a intenção e a

concretização: o lugar ao qual pertencem todos os imprevistos, acasos e possibilidades.

 

UNFIT (2019) | Desadequação. Incapacidade de uma superfície (obra) de acompanhar outra (chão). Impulso não concretizado de pertença.

 

THAT HOLE IN THE GROUND (2019) | Morte. Dificuldade de relação. Pulsão e impulso. Sedução.

EMBRACE (ORANGE) (2020) | A tensão de um aperto: demasiado apertado vs não apertado o suficiente. Compressão e necessidade de distensão.

 

I ONLY DREAM WHEN I’M AWAKE (2021) | O trauma do nascer do sol. Incapacidade de dormir. Imposição da

realidade. Impossibilidade de sonho.

 

A MATTER OF PERSPECTIVE (2022) | Necessidade de adopção de diferentes perspectivas. Mobilidade como tradução de urgência e procura. Ímpeto vital. Encontrar o escondido. Contrariar estagnação.

TEXTO: Susana Rocha